Foto: Adriano Gambarini

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O lobo-guará se alimenta, boa parte do ano, de frutos. Com isso, muitas espécies de plantas que contam com as chuvas para carregar suas sementes, ou têm sua disseminação limitada por outros pequenos animais são beneficiadas por um animal que ocupa grande área de vida.

As frutas consumidas pelo lobo, são feitas de forma inteira. Sendo assim, os animais ingerem as sementes, que passam por todo trato digestivo e saem prontas para germinar na terra. As fezes dos lobos são, principalmente no verão, repletas de sementes. Muitas vezes, as fezes são depositadas quilômetros de distância de onde o fruto foi apanhado. Ainda, em alguns casos, ao defecar, não somente as sementes, mas a massa fecal é composta de partes não digeridas de frutos que servem de alimento a insetos que carregarão tudo para dentro da terra, plantando assim a sementes. Isso confere ao lobo o papel de agricultor do cerrado. É um excelente dispersor de sementes, participando assim da recomposição de campos degradados e até mesmo florestas neste bioma.

Foto: Adriano Gambarini

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Muitas pessoas elegem os lobos como inimigos número 1, devido ao potencial de predação de aves domésticas. Com isso, não percebem este papel de semeador. E além dessa função, ao se alimentar de roedores, que muitas vezes se tornam pragas por investirem contra as sacas de grãos, trabalham também aliados aos produtores controlando assim as populações desses animais. Os mais antigos na roça apontam os guarás como problemas, mas ponderam: “Lobo perto de casa, é um defensor a mais contra ratos e cobras”. Assim, ganham pontos também pelo controle de serpentes nas redondezas das casas. Mesmo não sendo itens principais de sua dieta, as serpentes podem ser predadas, mortas pelos lobos. Tudo em grandes quantidades é prejudicial. O lobo ajuda a controlar e manter em equilíbrio populações vistas pelo homem como indesejadas.

Além das relações diretas na conservação da biodiversidade do Cerrado, a ausência da espécie pode ter também consequências indiretas importantes. Por ser uma espécie carismática, o lobo, apesar de ser perseguido, desperta a simpatia de boa parte da população. Desta forma pode servir como grande atrativo turístico a determinada região. Ao se eleger a espécie como animal-referência, símbolo, campanhas de associação ao turismo ecológico e rural podem ser realizadas, aumento o incremento financeiro de uma propriedade ou região.