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Quanto mais lobo, mais problema. Muita gente ainda acredita que esse animal, um dos maiores da nossa fauna, possa atacar e comer seus filhos, cães, bezerros, ovelhas. Mas isso não procede; é um animal arredio, se alimenta de animais pequenos e muitas frutas. Está muito longe de ser agressivo. Apesar de tímido e temer o homem, é curioso. Assim, quase sempre gera desconforto quando está por perto.  Quando a timidez dá lugar à curiosidade e oportunismo, de fato visitas à criação acontecem. Aí se dá o conflito. O resultado quase sempre é negativo para os dois lados. Do lado humano, a perda econômica. Do animal, a perda da vida.

15_Viagem-leishimania-100Por isso, talvez um dos problemas mais significativos à espécie seja a perseguição devido a conflitos com produtores rurais. O abate de indivíduos em virtude de retaliação à predação de aves domésticos, é importante principalmente em pequenas populações. Como todo problema de predação de animais domésticos por carnívoros silvestres, a percepção é exagerada com relação ao real impacto do predador envolvido. Estudos mostram que apesar dos lobos sempre levar a culpa pela morte das aves domésticas, outras espécies menos visíveis pelo menor porte e furtividade (furões, cachorros-do-mato, gatos do mato, lagartos, cobras, gaviões, etc), possuem grande responsabilidade e nunca são responsabilizados. Em muitas propriedades, lobos usam como parte da área de vida, e as galinhas são consumidas muito eventualmente, ou nem são consideradas por eles.

Em avaliação na Serra da Canastra, de todo plantel de aves observado, somente 11,6% foi efetivamente predado. Menos da metade dos ataques foram provocados por lobo-guará. No entanto o estudo avaliou que a percepção dos moradores sobre a espécie é ruim, o que corrobora o número de seis animais registrados abatidos por conflitos, em 4 anos.

Ainda que estas reduções por conflitos não sejam o fator primário de ameaça à espécie, observa-se este cenário em diversos locais onde lobos e proprietários rurais dividem espaço.

Métodos de prevenção, como o uso de cães (sob condições de saúde boas e controle, para que não ataquem a criação) e galinheiros resolvem ou amenizam muito o problema.

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