Foto: Adriano Gambarini

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O lobo-guará apresenta como padrão, os picos de atividade ao entardecer, noite e amanhecer. No entanto, estudos mostram relação com umidade do ar e temperatura como fatores principais definidores de suas atividades. De fato, em dias de clima frio, céu nublado ou após uma chuva, é possível observar indivíduos da espécie procurando comida, patrulhando seu território, a qualquer hora do dia.

A espécie é territorialista, utilizando dos odores presentes na urina e fezes, muitos mais sensíveis ao olfato deles do que aos nossos, para demarcar território e evidenciar sua presença. A marcação se dá em lugares estratégicos para os animais e de grande dissipação de odores, como no alto de cupinzeiros, árvores caídas ou pedras ou simplesmente no meio das estradas. A vocalização (o latido do lobo que se chama aulido) é utilizada também nestas funções, mas também na comunicação entre casais e na interação com filhotes e jovens.

Foto: Adriano Gambarini

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Eles têm hábito solitário. Porém, apesar de passarem a maior parte do ano sozinhos, a unidade social é o casal. Machos e fêmeas dividem o mesmo território, mas pouco se encontram durante o ano todo; só se juntam quase que apenas na época reprodutiva e se tiverem sucesso, durante os primeiros meses com os filhotes. Os pares são formados para toda a vida. Quando um dos dois morre, existe uma forte tendência do outro animal ficar sozinho por um período até encontrar outro animal em outro território, às vezes longe do seu original.

O tamanho da área ocupada por um casal coincide em quase 100%, mas é bem variável ao longo de toda a distribuição da espécie. Depende principalmente da qualidade do ambiente e facilidade de encontrar alimento.

Um comportamento interessante do lobo-guará é o de caça. Passa horas com o ouvido e nariz apurados procurando suas pequenas presas na vegetação alta. Quando encontra, fica imóvel, esperando um movimento mínimo que seja para refinar a localização. As orelhas parecem radares, captando os mínimos ruídos. Quando acha a presa se lança ao ar e mergulha dando um bote certeiro. E quando erra, a presa se esconde. É nesta hora que o lobo bate as patas no chão freneticamente para fazer as presas correrem, e na fuga, desfere outro bote. E mergulha até acertar.

Quando caçando cobras, eles usam o artifício de bater as patas no chão diversas vezes, e muitas delas acertando a presa. Quando estão já tontas, desfere uma mordida certeira no pescoço da serpente. E vai mastigando depois da cabeça para o rabo.