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As vezes, uma pesquisa científica requer um acompanhamento mais intensivo de um animal. O estudo exige uma avaliação dos caminhos percorridos, passo a passo para uma série de avaliações. Atendendo a essa necessidade, surgiu o monitoramento por radiotelemetria que consiste em um transmissor de sinais de rádio de um lado (no caso no animal) e um receptor para captação (pesquisador). Uma antena pode receber a direção exata de onde o animal se encontra e com um cruzamento dessas direções, encontra-se a localização do transmissor. Este é um método de monitoramento extremamente apropriado para animais com hábitos noturnos, como é o caso do lobo-guará.

 

34_roger collaring boltPara fixar o transmissor em um lobo, de forma que não cause grandes transtornos para a vida dele, os aparelhos são fixos a uma coleira. Antigamente, para conferir resistência e durabilidade, as coleiras eram produzidas em couro. Com o passar do tempo, o material de confecção foi substituído por material mais leve. Hoje, as coleiras são inteiramente sintéticas com bordas costuradas, que evitam cortar o pelo ou a pele, e com a parte interna hipoalergênica, que evita qualquer tipo de infecção pelo contato excessivo. São produzidos com material e critérios diferentes daqueles usados nas coleiras de cães domésticos. A produção dos colares permite que o animal fique equipado por longo período. Mesmo assim, já se observou  coleiras se “desfazerem” e caírem sozinhas do pescoço dos animais após 5 anos.

Os protocolos internacionais para o uso de equipamentos de pesquisa animal vêm evoluindo desde essa época. O CENAP/ICMBio, órgão licenciador das pesquisas com carnívoros em todo Brasil, auxilia no aperfeiçoamento dos equipamentos, junto às empresas estrangeiras, para melhorar as metodologias visando um uso mais seguro e temporariamente reduzido. Um dos critérios utilizados mundialmente para a instalação da coleira é com relação ao peso suportado. As convenções internacionais preveem a utilização de qualquer marcador que não ultrapasse 5% do peso corpóreo. Para maior segurança, utiliza-se e licencia-se, nas pesquisas com carnívoros no Brasil, coleiras pesando no máximo 3% do peso total do animal.

As coleiras mais pesadas utilizadas no lobo-guará não chegam a 2,5% de seu peso. E novas tecnologias permitem a diminuição ano a ano desta carga.

Contrariando algumas suposições, o animal com uma coleira não recebe radiações e não percebe sinais auditivos do equipamento. Seu comportamento é normal. Porém, ainda que não ofereça problemas à sobrevivência e saúde dos animais, solicita-se que seja realizada a remoção das coleiras após o atendimento dos objetivos da pesquisa. Isso, no entanto, depende da facilidade de recapturas. Nos últimos anos, os fabricantes disponibilizaram dispositivos de desprendimento automático instalados no equipamento. Eles funcionam em contagem regressiva e são pré-programados por períodos de meses a poucos anos. Quando a contagem chega ao fim, o drop-off, como é chamado tecnicamente, é ativado, abrindo a coleira que se desprende do pescoço do animal.

As coleiras atuais operam com outras tecnologias associadas ao VHF. Um equipamento mais moderno, dotado de receptor GPS, registra cada ponto exato do animal na frequência de tempo determinada pelo usuário. Um terceiro tipo de coleira, além do transmissor de VHF e do receptor GPS, ainda possui recursos de comunicação com satélites. Assim, o GPS registra os pontos e outro dispositivo acoplado envia as informações para o satélite que, por sua vez, transmite os dados para os usuários. Com isso, não é necessário acompanhar os lobos de perto para obter suas informações. Todos os tipos de equipamento mencionados são produzidos com sensores de atividade e mortalidade. Os sensores de atividade registram em segundos ou minutos qualquer tipo de movimentação do animal. Pela intensidade do movimento é possível categorizar situações de caça, de descanso etc. Já o sensor de mortalidade é ativado quando o animal se encontra imóvel por longo tempo, caracterizando seu óbito.

Lobos-Guarás são acompanhados hoje em dia em alguns lugares do Brasil e na Bolívia